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.::VOLTE PARA A PÁGINA INICIAL: CLIQUE
AQUI!::. .::Plus!::. Você encontra aqui os "plus" (outros meios) utilizados para divulgar o projeto No dia 28 de fevereiro o Centro Acadêmico de Comunicação Social da Universidade Federal de Roraima promoveu o primeiro Sarau da Comunicação às 20h30 no Núcleo de Rádio e TV Universitária. A intenção é descobrir novos talentos artísticos. Apresentaram-se os alunos Érica Figueredo, Sônia Lúcia e Josean Rego. O aluno Josean Rego fez a apresentação de um monólogo como leitura em cena do texto Os Notívagos, criação própria. Abaixo você confere o texto. Estiveram presentes além de alunos do curso a professora Etiene Travassos e os artistas locais Diego Caóbi, Eliakin Rufino e George Farias.
OS
NOTÍVAGOS (venho
tomando meu cafezinho) Hoje, nessa noite, quero dizer a todos aqueles que quiserem me ouvir, a todos aqueles que quiserem sentir no peito a dor, a força, o sentimento, a vontade de ser alguém e não poder. Por que a gente não pode ser alguém que é? Podem
vir a me perguntar: Por que será que ele não pode ser quem ele é?
Vivemos em sociedade, vivemos com pessoas. Vivemos com várias pessoas.
Regras e mais regras são impostas. Então qual o problema? Esse é o
problema: a regra é imposta. Em muitas das vezes e em muitos dos casos,
você sofre por causa dessa regra. Essa
inútil! O que os outros têm haver comigo? Porque os outros tanto se
preocupam com o que faço? Qual o sentimento? Qual o motivo dessa sensação
desagradável de asco, de nojo, de imundície que leva as pessoas a
sobrecarregarem as outras com suas colocações pudicas. Levantarem
poeira, onde nela se acobertam até o próximo vento. Tripudiam daqueles
que apenas fazem ou vivem de forma diferente. Como se esses não fossem
ninguém. O que leva essas pessoas a fazerem isso? Qual o motivo da discriminação? Sofrimento, dor, mas... isso não importa mais. Hoje é festa, fim de semana. Até porque as pessoas são perfeitas à noite. À noite, as pessoas são elas mesmas. À noite elas assumem a sua verdadeira forma. Muitas podem considerar com maldade, outras como sendo a garantia da sinceridade: a verdade do próprio ser. Tem gente que prefere não saber o passado, o presente e nem sequer o futuro. O futuro a Deus pertence... muitos dizem assim. Por
isso eu digo que eu gosto da noite. Nela todos são iguais. Todos
procuram, todos querem, todos desejam... Incrível! Eu posso ser eu! Mas
nem tanto. Através
do olhar, alcanço os lábios de outras pessoas, observo o corpo, o jeito,
o andar, o modo de cuspir, o modo de coçar, arrumar o cabeço, no modo de
consertar o borrado do baton... que borraram para você... (risos).
Fico atento também ao modo de falar. Tudo
bem mas eu vou sair. Quero encontrar... “Encontrar alguém...”
Bem... então uma pergunta: por que as pessoas não são elas mesmas
enquanto é dia? Enquanto o rei sol ilumina cada sulco de seus rostos,
deixando clara cada marca do tempo? Talvez seja o medo da rejeição. As
pessoas deveriam se tratar e lotar as clínicas dos psicólogos e
psiquiatras. Por causa desse medo não arranjam ninguém, nem se deixam
arranjar. Tudo bem... vive-se sozinho. Vive-se bem sozinho. Mentira!!! Não
se vive só! Ninguém merece isso. Compreender
é importante! Porque, acima de tudo, todos somos humanos. Somos humanos e
diferentes. Preciosos por sermos diferentes. Ricos por sermos plurais e
essa diferença é a que atrai. Respeito,
carinho, amor, dor... dor? Eu não gosto muito dessa senhora. Por vezes
ela bate a minha porta. Logicamente não quero abrir. Não gosto de
sofrer. Mas ela consegue derrubar a porta. E segue em minha direção para
me abraçar. A intenção dela é não me largar mais. Bem...
a noite terminou. Então eu deixo o lugar, me afasto. Eu me afasto das
pessoas. Eu me afasto de todas as pessoas. Daquelas que me aproximei e não
quiseram e daquelas que "deram o verde" e me deixaram sozinho
esperando à mesa. Vou
para a minha casa! Corro para a minha misantropia. Morfeu me aguarda em
casa para me fazer descansar. Porque ser diferente? Em nada ajuda! Muito
pelo contrário, ser diferente é crime. Ser diferente é não se deixar
ser aceito. Por que as pessoas precisam ser iguais? Porque todas as
pessoas precisam ser iguais? Por
sermos diferentes somos motivos de chacota. É crime não ser igual e não
ter como regras o convencional? Eu não tenho uma...(...busseta!
– ilustrar uma vagina). Aaaaahhhh! Eu não tenho atributos
femininos e não gosto que me identifiquem assim. Por
ser diferente ou ter uma o-ri-en-ta-ção diferente sou motivo de escracho
e de brincadeiras infames. Nasci assim, não tenho culpa. A igreja diz que
é pecado. Mas será que o Deus citado por ela deixaria seus filhos
lutarem contra algo que nem sequer a ciência explicou ainda. Eu não
gosto de sofrer. Quem gosta de sofrer? O
sofrimento eu sentiria se tivesse que enganar outras pessoas. Enganar os
meus filhos. As vezes me pergunto porque será que eu tinha que nascer
como um digno representante da dita escória da humanidade? Da peste guei!
Ter feito minha família se envergonhar! Ter feito minha mãe chorar e
perguntar-se com a célebre pergunta: Onde foi que eu errei?
Ninguém
errou mamãe. Nasci assim. O que acontece é que os donos da informação,
não procuram levar mais respeito e dignidade em suas páginas ou na
telinha. Eu não sou palhaço para servir de personagem para brincadeiras
esdrúxulas. Sou sim uma estrela da vida. Um artista, no meu dia a dia
sendo um figurante para não ser notado. Para que não me critiquem. Para
que eu não seja apedrejado, para que não seja mais uma vítima de
skinheads e ver os detentores do poder coercitivo, com seu juízo de
valor, estáticos, apenas observando a atrocidade e o sofrimento alheio.
Afinal sou guei! A verdade dói. E dela poucos gostam ou não a praticam. As pessoas não querem escutar. Parecem preferir a hipocrisia a ter o privilégio da sinceridade. Por que será que não querem a verdade? Esses que não a querem, acabam gritando e xingando inocentes que passam nas ruas. Vítimas de preconceito que desviam por vários caminhos até chegar ao seu destino. Os preconceituosos de plantão usam seus sapatos para bater e por final limpar suas sujeiras em nossas costas. Descontando em nós a sua fúria, sua "revolta" e covardia. Mas esses criminosos são tão inocentes quantos nós. A eles, nem a nós, foi informado que era normal. Fomos educados de maneira errada. Porque então não se educa diferente? Jornal, rádio, TV... São seis da manhã. Vou me deitar. Se eu não grito para as paredes. Eu tenho certeza que enlouqueço. Mas não vou enlouquecer. Mas também não vou deixar que a vida me leve, que a vida me deixe, que a vida me... não, não, eu não vou deixar que a vida me deixe. Eu não vou morrer! (risos sarcásticos) Não tão cedo! Ainda vão ter muito o que me agüentar. Tenho certeza que vencerei! E pelo menos deixarei a minha parcela de contribuição. Por que as pessoas precisam compreender. É um dever de qualquer cidadão compreender e difundir a verdade. E não escrachar com sensacionalismo, com desrespeito. Então, volto ao meu leito. Morfeu já está me chamando de novo. Preciso dormir e acordar renovado para encarar mais um dia de luta. Quem sabe mais tarde encontrar alguém, nem que seja somente para satisfazer. Mas agora deito e passo a sonhar que um dia tudo será diferente. Josean
Rego
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